Americanas diminui prejuízo em 94,7% no 2º tri de 2025 e acelera integração de canais

Americanas reduz o prejuízo em 94,7% no 2T25 e acelera a estratégia omnichannel com “marketplace físico”, ship from store e retirada em loja.

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Imagem: Divulgação

A Americanas encerrou o 2º trimestre de 2025 com prejuízo líquido de R$ 98 milhões, uma queda de 94,7% em relação aos R$ 1,865 bilhão de um ano antes. O número, por si só, não encerra a discussão — mas muda o tom. Ele sinaliza que a companhia começa a colher ganhos de eficiência e a se afastar da fotografia ainda distorcida de 2024, quando despesas financeiras e efeitos da reestruturação pesaram de forma extraordinária nos resultados.

A evolução aparece também na linha operacional. A receita líquida somou R$ 3,843 bilhões (+24,7% ano contra ano) e o Ebitda ajustado alcançou R$ 329 milhões, um salto de 1.216% sobre o 2º tri do ano passado. No critério reportado, o Ebitda ficou em R$ 304 milhões, ante resultado negativo em 2024. Esses três vetores — receita maior, rentabilidade recuperando e despesa financeira menos pressionada — ajudam a explicar por que o prejuízo encolheu de maneira tão expressiva.

Outro elemento relevante é a mudança no mix por canal. O GMV total atingiu R$ 5,2 bilhões (+15,6% a/a), mas quem puxou a fila foi o varejo físico, com R$ 4,353 bilhões (+35,7%). O digital, por sua vez, registrou R$ 213 milhões (–68,7%), refletindo um redesenho intencional da operação online — menos foco em crescimento a qualquer custo e mais disciplina na qualidade da receita e da margem por pedido. A estratégia explicitada pela gestão é trocar o “marketplace tradicional” por um “marketplace físico”, no qual o digital se integra ao poder de capilaridade das lojas.

Principais números do 2T25 (visão rápida)

  • Receita líquida: R$ 3,843 bilhões (+24,7% a/a).

  • Ebitda ajustado: R$ 329 milhões (+1.216% a/a); Ebitda reportado: R$ 304 milhões (vs. negativo no 2T24).

  • GMV total: R$ 5,2 bilhões (+15,6% a/a).

  • Mix por canal: varejo físico em R$ 4,353 bilhões (+35,7%); digital em R$ 213 milhões (–68,7%).
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Estratégia: do “marketplace tradicional” ao marketplace físico

Na prática, a Americanas vem ampliando o uso de ship from store (despacho a partir da loja) e retirada em loja (BOPIS), encurtando o last mile, elevando conveniência e preservando margem. Quando o pedido sai da loja mais próxima do cliente, os prazos caem e o custo logístico por pedido tende a melhorar. Já a retirada em loja desbloqueia efeitos colaterais positivos: tráfego físico adicional, aumento de tíquete na visita e mais oportunidades de relacionamento com a marca. Por trás disso está um trabalho de sortimento e precificação por praça, com estoques mais inteligentes e atenção a ruptura — um ponto sensível em qualquer operação omnichannel.

Esse desenho faz sentido no ambiente atual. Com capital mais caro e competição em alta, a prioridade do varejo migrou do “crescer a qualquer custo” para crescer com rentabilidade. O consumidor, por sua vez, tornou-se mais híbrido: pesquisa no digital, compra no digital, retira na loja, troca no balcão. Capturar essas jornadas demanda processos integrados e métricas que olhem para tempo de atendimento, margem por pedido, giro e satisfação. É esse o tabuleiro no qual a Americanas escolheu jogar no segundo semestre, que historicamente concentra datas fortes como Dia das Crianças, Black Friday e Natal.

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Implicações para o mercado e para sellers/parceiros

Para fornecedores e marcas parceiras, a mensagem implícita é clara. O papel da loja como hub ganha importância, o que exige planejamento de sortimento regionalizado e capacidade de resposta rápida a picos de demanda. Campanhas passam a dialogar com as duas pontas — digital e físico —, seja via promoções geolocalizadas, seja via benefícios de retirada e prazos mais curtos. Do lado do marketing de performance, a seletividade no canal online cobra um trabalho mais cirúrgico: páginas de categoria e coleção mais completas, promessa de prazo crível e clareza no benefício omnichannel.

Há, claro, pontos de atenção. Operar lojas como mini-CDs demanda disciplina operacional (recebimento, separação, embalagem e SLA de retirada/entrega). O equilíbrio entre estoque enxuto e baixa ruptura é fino; errar nessa régua corrói experiência e conversão. Também é preciso manter coerência de preços e promoções entre canais para evitar ruído na jornada. No digital, a “poda” feita em 2024/2025 foi intencional, mas a companhia ainda precisa sustentar relevância e tráfego qualificado para que a omnicanalidade seja de fato multiplicadora.

  • Omnichannel ganha peso: a tese de integração de canais volta ao centro — experiência e rentabilidade superam “crescer a qualquer custo”.

  • Lojas como hubs: marcas e sellers que operam com estoque regionalizado tendem a acelerar o giro e reduzir custo logístico.

  • SEO e tráfego qualificado: com o digital mais seletivo, busca orgânica e mídia de performance precisam ser mais cirúrgicas (landing pages de coleção, BOPIS como benefício e promoções geolocalizadas).
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O balanço do 2T25, portanto, conta uma história de normalização com escolhas. A Americanas recua no prejuízo, melhora a rentabilidade e aposta em um modelo em que a capilaridade das lojas sustenta velocidade, conveniência e margem. O próximo capítulo depende da execução: manter o Ebitda em trajetória de alta, preservar o caixa operacional e provar, nas grandes datas do calendário, que a integração entre canais não só protege o resultado, como também volta a escalar com qualidade.

FAQ

Americanas teve lucro no 2º tri de 2025?
Não. Teve prejuízo de R$ 98 milhões, porém 94,7% menor que em 2024.

Qual foi o Ebitda da Americanas?
Ebitda ajustado de R$ 329 milhões (salto de +1.216% a/a).

O que é o “marketplace físico” da Americanas?
É a estratégia de integrar o digital às lojas com ship from store e retirada para ganhar velocidade, conveniência e margem.